Se você é novo aqui, veja um resuminho!

Já conhece o STEAM? Ótimo!

é isso mesmo?

Seja esta sua primeira ou centésima vez vendo o termo STEAM (traduzido do inglês: Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática), vamos começar assumindo uma coisa: mesmo depois de duas décadas de STEM/STEAM, ainda há muito a melhorar. 

Com total ou nenhum conhecimento sobre este tema, neste Guia você pode navegar através de análises, exemplos, ideias, reflexões e questionamentos. Construa os seus próprios significados e aproveite!

Se você é novo aqui, veja um resuminho!

Já conhece o STEAM? Ótimo!

Explicado

Contexto

Educacional

Mão na massa não basta

Vamos trazer um pouco de contexto da pesquisa em educação, ensino de ciências e currículo. 

Algo que sempre chamou nossa atenção, além do problema de definir o STEAM, é como ele se encaixa dentro das várias perspectivas de ensino de ciências. Isto é, de quais linhas teóricas ele se aproxima e de quais linhas ele se afasta.

Vários pesquisadores apontam para um pluralismo metodológico em sala de aula. Ou seja, quase como se os professores seguissem distintas linhas ao mesmo tempo, ou alternassem entre elas. Isso não necessariamente é um problema, mostra que diferentes estratégias disputam espaço na sala de aula. Essa é inclusive uma das razões pelas quais qualquer tendência educacional que surgir, sempre será praticada de modo híbrido e, muitas vezes de modos antagônicos. 

O STEAM, por ter nascido a partir de uma narrativa mais ligada ao mercado de trabalho e o ensino profissionalizante, tem muitas marcas do tecnicismo como perspectiva educacional, como já discutimos em outras seções deste guia. Além disso, logo que toda a história de STEAM começou, muitos programas investiram em criar os tais kits STEAM. Ou seja, caixas de instrumentos e materiais para experimentos em sala de aula. 

O que pairou no ideário desses programas é a mesma noção de ensino de ciências que foi muito praticada nos anos 70 em vários países, incluindo Brasil e EUA. Motivado pela ideia de que os estudantes precisavam literalmente agir como minicientistas em sala de aula, prevaleceu um modelo de ensino de ciências que supervaloriza o método científico (cartesiano), sem deixar espaço para os vieses subjetivos e humanos do fazer ciência. Ou seja, era a ideia ingênua de que botar um jaleco e luvas para realizar experimentos faria os estudantes se sentirem super interessados e transportaria o ensino de ciência de um modelo tradicional para o mais inovador. Nesse contexto, muito do ensino de ciências se pautou por seguir protocolos de experimentos, anotar observações e escrever relatórios, pois seria isso que os cientistas fazem.

O que essa perspectiva deixa escapar, infelizmente, é justamente o pensamento científico, a postura investigativa e a capacidade de fazer boas perguntas, para dar lugar a uma ciência que faz experimentos apenas para comprovar o que os estudantes já sabem ou conseguem descobrir com 30 segundos de um vídeo no Youtube. Ademais, os tais kits STEAM criam outro problema: tornam o STEAM dependente deles, como se só fosse possível trabalhar em uma linha STEAM, se houver um kit, seja de robótica ou de experimentos de ciências. A ênfase está, portanto, no kit e na ideia de falar que a aula é STEAM, e não no próprio aprender, no desenvolvimento de ideias, conceitos, formulações científicas complexas. Ou seja, o foco é na ferramenta, não no que ela é capaz de construir. 

Com esse exemplo dos kits e da relação com o mercado de trabalho, estamos explorando apenas dois dos possíveis aspectos para analisar no STEAM. Poderíamos ainda analisar a questão da formação e de como os professores são vistos nos programas STEAM, ou a questão das visões de ciência, das percepções de interdisciplinaridade… Enfim, o olhar da pesquisa em educação se encarrega justamente de problematizar e confrontar as ideias e discursos do STEAM com que já se estabeleceu no campo da educação.

De fato, é a partir desse olhar crítico proporcionado pela pesquisa em educação que este guia foi construído. Buscamos desenvolver visões alternativas para os discursos dominantes, bem como caminhos distintos para aquilo que não consideramos adequado para o ensino de ciências, ou compatível com modelos de educação mais justos, democráticos e emancipadores.

Portanto, é muito importante ficar claro que ao pensar em STEAM, os educadores sejam capazes de situá-lo dentro figura maior, e não simplesmente a partir de uma única perspectiva. Isso ajuda a entender inclusive que o movimento STEAM education não é a única tampouco indiscutível tendência na educação contemporânea.

Em nosso ponto de vista, as respostas para a inovação educacional, reforma curricular e a melhoria do ensino de ciências não estão, portanto, em uma assumir acriticamente uma solução mágica ou universal. Mas sim em nossa habilidade para manter e negociar valores progressistas em qualquer nova tendência educacional, além não deixar as conquistas da pesquisa educacional serem apagadas.

Nunca se esqueça de incluir no seu

O que as pessoas dizem sobre STEAM?

Fizemos algumas entrevistas com quem vem trabalhando com o STEAM em escolas pelo Brasil, ou que está por dentro da ideia. Cada um traz seu ponto de vista diferente.

Esperamos que você goste dessas perspectivas interessantes! E fique à vontade para nos enviar a sua!

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Waleska Gonçalves

Para quem está está começando a conhecer o STEAM, a Waleska Gonçalves dá algumas dicas. Ela é professora da rede pública do Mato Grosso e doutoranda em Educação.

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Marcelo Lopes

O STEAM education tende a continuar como uma tendência? O Marcelo Lopes, diretor pedagógico da Foreducation EdTech, dá a sua perspectiva a partir do mercado de EdTechs.

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Fernando Wirthmann

Quais as limitações e possibilidades para o STEAM no currículo brasileiro?
O Fernando Wirthmann é Coordenador Geral do Ensino Médio no MEC e comenta para gente a partir da experiência como gestor de educação no DF.

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Elmara Souza

A Elmara Souza, que é professora na Bahia e tem uma super experiência com o STEAM, dá a dica pra quem está começando a entrar em contato agora com a ideia.

Referências e sugestões de leitura

Além das referências que incluímos na seção Mapa, recomendamos também algumas leituras adicionais para quem quiser aprofundar nas discussões sobre o STEAM education. Tem alguma leitura que está faltando? Conte pra gente aqui.

BENDER, W. N. Aprendizagem baseada em projetos: educação diferenciada para o século XXI. São Paulo: Penso Editora, 2014. E-book.

O livro traz discussões aprofundadas sobre os princípios que norteiam a ABP e dicas de como estruturar projetos escolares. Leitura muito válida para quem quer trabalhar com projetos.

HERNÁNDEZ, F.; VENTURA, M. A organização do currículo por projetos de trabalho: o conhecimento é um caleidoscópio. São Paulo: Penso Editora, 2017.

O autor traz nesse livro questões sobre o currículo organizado por projetos de trabalho, além de ajudar a pensar no porquê de utilizar projetos escolares.

FEINSTEIN, N. W.; KIRCHGASLER, K. L. Sustainability in Science Education? How the Next Generation Science Standards Approach Sustainability, and Why It Matters. Science Education, v. 99, n. 1, p. 121-144, 2015.

Esse artigo, em inglês, analisa o otimismo tecnológico, o tecnocentrismo e uma visão determinista da ciência nos currículos escolares.

SINGER, H. Pelo protagonismo de estudantes, educadores e escola. In: LOVATO, A.; YIRULA, C. P.; FRANZIM, R. (org.). Protagonismo: a potência de ação da comunidade escolar. São Paulo: Ashoka: Alana, 2017.

Leitura super recomendada para quem quer estabelecer uma educação mais participativa e democrática com os estudantes – algo que é mais do que necessário na hora de construir boas propostas STEAM.

PUGLIESE, G. O. STEM EDUCATION – um panorama e sua relação com a educação brasileira. Currículo sem Fronteiras, 20(1), pp.209-232, 2020.

O artigo detalha o processo de construção do movimento STEM education nos EUA e aponta algumas implicações para a pesquisa educacional.

BACICH, L.; HOLANDA, L. (Org.). STEAM em Sala de Aula — A Aprendizagem Baseada em Projetos — Integrando Conhecimentos na Educação Básica. 1ed. Porto Alegre: Penso, 2020.

Este livro traz uma coletânea de perspectivas sobre o STEAM education, suas relações com projetos, BNCC, Arte, a escola brasileira e muito mais. É uma leitura super indicada para ampliar ainda mais suas investigações sobre o STEAM.

FAZENDA, I. C. A. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2011.

A autora, que é uma referência nos estudos da interdisciplinaridade, explica de modo bem didático o que são essas divisões inter-trans-multi e disciplinar. Ou seja, tudo a ver com a ideia de S+T+E+A+M. Além disso, levanta importantes questões sobre como isso se concretiza na prática escolar. 

BENCZE, Larry, REISS, M. J., SHARMA Ajay, and WEINSTEIN, Matthew. “STEM education as “Trojan horse”: Deconstructed and reinvented for all.” Peter Lang: New York, 2018.

O artigo, em inglês, é uma leitura super recomendada para quem se interessa por uma discussão crítica sobre o STEM education.

Você não respondeu minha pergunta!

Este Guia está em constante construção. Ele continuará a ser atualizado conforme os eventos se desdobram, novas pesquisas são publicadas e novas questões surgem. Sempre dá para melhorar. Portanto, se você tiver perguntas, comentários adicionais ou reclamações, mande pra gente!

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    8 thoughts on “Faça seu comentário!

    1. O aprendizado interdisciplinar, em geral, é fundamental para desenvolver competências e habilidades que ajudarão os alunos a ter sucesso na suas vidas.

    2. Explicação clara e de fácil entendimento, acredito que muitos de nós já trabalhou ou trabalha nessa perspectiva.

    3. Um verdadeiro desafio poder participar desse curso super atualizado na área e ainda mais desafiador por ser em EaD!

    4. Muito legal a abordagem do tema.
      Eu sempre trabalhei com meus alunos por projetos mão na massa e muitas vezes usando o STEM sem saber.

    5. Oii!! Sou professora de matemática com 30 anos de sala de aula, a maior parte deles com o ensino médio. Já trabalhei na rede particular, municipal, federal e atualmente por opção estou na rede estadual de ensino do estado de Minas Gerais. Eu sempre usei a perspectiva abordada pelo STEAM, mas sem saber que era Steam a forma “diferente que meus colegas julgavam” das minhas aulas. Depois de participar do Programa STEAM TechCamp 2021 entendi que o quê eu fazia, ou tentava fazer era uma forma Steam de ensinar. Atualmente desenvolvo com a parceria do meu super colega Enderson professor do Cefet MG, um projeto de programação física, robótica e Impressão 3D na Escola Estadual Lar dos Meninos em BH MG com a abordagem STEAM. Criamos um grupo Uai Steam e estou super feliz e torcendo muito para que o movimento STEAM tome cada dia mais força e forma em nosso país.

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    Badin Borde

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